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22/04/2010 - 18h24
Ajuda da Igreja do Brasil priorizará ações sociais
Karol Assunção *

Atualizado em 29 de abril de 2010, às 20h45

A situação do Haiti após o terremoto do dia 12 de janeiro ainda está longe de ser a melhor. Na semana passada, o presidente da Cáritas Brasileira, Dom Demétrio Valentini, visitou o país para verificar o estado do local depois de três meses da tragédia e não teve boas surpresas. "A situação é mais grave do que a gente imaginava", avalia.

Na visão dele, o país caribenho "vai demorar anos e anos para resolver" o problema, pois ainda vive em meio aos entulhos. "Os escombros ainda estão quase por inteiro nas ruas", revela, lembrando que apenas algumas vias principais foram desobstruídas.

Para ele, o que se pôde observar na visita ao país foi a violência do terremoto, comprovada pelas graves consequências e pelo número de vítimas. "Foram mais de 200 mil mortos", lembra, destacando que, entre os falecidos, havia pessoas importantes na estrutura administrativa do Haiti, como ministros, professores, juízes, chanceler e padres. "A morte de pessoas importantes deixou um vácuo na responsabilidade do país", afirma.

Diante de todo o quadro de devastação, Dom Demétrio faz uma reflexão a partir da questão histórica do país. "Como é que se permitiu chegar ao estado que o Haiti chegou?", questiona-se, recordando ações realizadas contra a nação caribenha, como a dívida externa e o boicote econômico.

Dom Demétrio ressalta que o Haiti vive, atualmente, uma fase de transição, passando do período de emergência para o de reconstrução. "O problema agora é reorganizar por inteiro o país: retomar a economia, a cidadania e a plena soberania. Coisas que não são de um dia para o outro, demorarão anos para reconstruir", destaca.

Para o presidente da Cáritas, o desafio será como fazer para ajudar o país caribenho nessa nova fase. Na opinião dele, a ajuda deve ser equilibrada: de um lado, a solidariedade internacional e, de outro, a soberania nacional. "É preciso que eles tomem a iniciativa para serem protagonistas", comenta.

Segundo ele, a uma das ajudas da Igreja, nesse momento, será dada à educação. De acordo com ele, já está em fase "de amadurecimento" uma proposta de reconstruir escolas e viabilizar a educação no país caribenho. "A educação é uma urgência. É uma prioridade absoluta da Cáritas", enfatiza.

Além da solidariedade internacional, Dom Demétrio destaca também o trabalho que vem sendo realizado no país pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelas tropas brasileiras. "Muitos acham que as forças deveriam se retirar. Acredito que agora não. Elas tranquilizam a população, organizam a distribuição de alimento", opina.

Ele rebate as críticas contrárias à ocupação militar estrangeira em território haitiano afirmando que as forças armadas "deram um exemplo de atuação pela postura, respeito e valorização da cultura do povo". Dom Demétrio considera "covardia" retirar agora as tropas da ONU do país. "Elas querem dar força ao governo local, também desejam a soberania do país", acredita.

* Jornalista da Adital. Edição: Mayrá Lima

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